Limites
Ao longo da minha vida sempre tive dificuldade em colocar limites, então vivi oscilando entre dar tudo e não dar nada, numa tentativa lunática e extremista de encontrar o equilíbrio.
Agora entendo que essa dificuldade vinha do facto de não me conhecer, não aceitar as minhas necessidades e não conhecer os meus próprios limites! Até onde posso ir? O que é demais para mim? E ser fiel a isso.
Depois encontramos outro problema, é que habituamos as pessoas a ter tudo de nós e quando queremos recuar por já não aguentarmos estar constantemente a violar os nossos limites, ainda somos mal tratados e nos cobram por não correspondermos às expectativas que têm acerca de nós!
Aqui é preciso ter muita força e firmeza! É que ficam deveras zangados connosco!
Não querendo desculpar esses tiranos que agem assim porque só se vêem a si próprios e acham que as pessoas só existem para servir os seus interesses, a responsabilidade é sempre nossa (como em tudo na vida), pois fomos mostrando uma pessoa que não correspondia à verdadeira versão de nós próprios.
Muitas vezes por ego quisemos ser o "bonzinho" ou faltou-nos mesmo a força para assumir quem realmente somos, e vamos ficando prisioneiros dos outros e das expectativas que têm em relação a nós.
Quanto mais tempo vivermos a mentira do "bonzinho" mais difícil é sair dela...
Aquelas pessoas que conhecemos de quem toda a gente diz que é muito boa pessoa porque está sempre a satisfazer a todos e nunca diz que não, são normalmente pessoas que sofrem profundamente, pois são "bonzinhos" para os outros mas não são para si próprios. Têm uma enorme falta de amor próprio que tentam buscar nos outros e por isso passam uma vida de escravidão a querer agradar para ter o amor do outro.
E por se terem abandonado tanto a si mesmos, nem fazem ideia de quais são os seus limites.
É importante fazer uma reflexão acerca do que é ser bom e do que é ser submisso. Tirar um tempo para si e perceber: o que de facto eu quero dar de mim e o que ultrapassa o limite da minha integridade?
É que se não estivermos plenos e a transbordar não devemos mesmo dar!
Primeiro temos que nos preencher para depois começar a doar, senão a doação é sempre na tentativa de obter algo em troca. Algo que nos faz falta!
Sei que para muita gente isto é considerado egoísmo, mas para mim é amor próprio e um forte respeito por si!
Um verdadeiro doador nunca é chamado de "bonzinho". É alguém íntegro, com um profundo auto-respeito e a sua própria existência e exemplo de vida são por si só uma benção, uma inspiração e por isso uma enorme dádiva!